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EUA encerram buscas por marinheiros após acidente com navio militar no Japão

Por Agência Estado , 18/06/2017 às 11:53

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As buscas por sete marinheiros da Marinha dos EUA que desapareceram depois que a embarcação onde estavam colidiu com um cargueiro de bandeira filipina na costa japonesa foram encerradas depois que vários corpos foram encontrados neste domingo nos compartimentos inundados do navio.

Os mergulhadores da Marinha encontraram "vários corpos" no USS Fitzgerald, um dia depois da embarcação ter colidido com um navio quatro vezes maior, disse o vice-almirante Joseph Aucoin, comandante da 7ª frota da Marinha, durante uma coletiva de imprensa. Ele não revelou quantos corpos foram recuperados, porque ainda faltava avisar os parentes mais próximos.

Aucoin disse que grande parte da tripulação de cerca de 300 pessoas estava dormindo quando a colisão aconteceu, às 2h20 da madrugada de sábado. O acidente danificou gravemente a sala de máquinas e duas áreas de alojamento, para 116 membros da tripulação. A embarcação voltou à base da 7ª frota da Marinha, em Yokosuka, no Japão, na noite deste sábado, com a ajuda de rebocadores.

As vítimas podem ter sido mortas pelo impacto da colisão ou podem ter afogado na inundação, disse o porta-voz da Marinha, tenente Paul Newell.

Aucoin descreveu os danos e inundações como extensivos, incluindo uma grande perfuração sob a linha de água do navio, e disse que a tripulação teve de lutar para manter a embarcação flutuando. "O dano foi significativo. Esta não foi uma pequena colisão", disse. "Você não pode ver a maior parte do dano - que está principalmente debaixo da linha d'água, e é um grande corte perto da quilha do navio", acrescentou. Segundo ele, o fluxo de água foi intenso e não houve muito tempo para a tripulação que estava nessas áreas que foram abertas ao mar. "E, como você pode ver agora, o navio ainda está inclinado, então eles tiveram de lutar contra o navio para mantê-lo acima da superfície. Isso foi traumático."

O capitão do navio, comandante Bryce Benson, foi transportado de helicóptero do navio ao Hospital Naval dos EUA em Yokosuka com um ferimento na cabeça. Dois outros membros da tripulação sofreram cortes e contusões e também foram transferidos. Aucoin disse que a cabine de Benson foi destruída. "Ele tem sorte de estar vivo", disse.

Aucoin não falou sobre a causa da colisão e disse que iria solicitar uma investigação aprofundada. Estava escuro, mas as condições de visibilidade eram boas no momento da colisão, ocorrida em uma área particularmente intensa pelo tráfego marítimo.

O dano à embarcação militar sugere que o navio cargueiro, ACX Crystal, pode ter batido a uma velocidade significativa. Isso levantou dúvidas sobre a existência de uma comunicação adequada entre os dois navios, em especial tendo em vista o quão movimentadas são as águas na região. A área onde ocorreu a colisão registra a passagem de até 400 navios todos os dias, de acordo com a guarda costeira do Japão. O movimento é especialmente intenso nas primeiras horas do dia, com os navios que transportam carga para entrega em Tóquio no início da manhã. As águas têm correntes rápidas, tornando-a complicada, o que requer experiência e habilidade para navegação.

O cristal ACX pesa 29.060 toneladas e tem 222 metros de comprimento, muito maior do que o navio norte-americano, de 8.315 toneladas. O arco esquerdo do cargueiro estava amassado e raspado, mas não parecia ter sofrido grandes impactos estruturais quando ancorou na baía de Tóquio no final de sábado. No domingo, porém, um grupo de investigadores de acidentes do Ministério dos Transportes japonês encontrou danos que estavam escondidos sob a linha d'água. Todos os membros da tripulação do ACX Crystal estavam bem, de acordo com a Nippon Yusen K.K., companhia japonesa que opera o navio.

O navio foi visto em rastreadores de alguns navio fazendo uma curva em U antes da colisão, um movimento que levantou dúvidas sobre o que aconteceu. A guarda costeira japonesa questionou os membros da tripulação do ACX Crystal e está tratando o acidente como um caso de possível negligência profissional, disse Masayuki Obara, um oficial regional da guarda costeira.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, enviou uma mensagem ao presidente Donald Trump neste domingo expressando "tristeza profunda". "Eu expresso minha sincera solidariedade com os Estados Unidos neste momento difícil", disse, elogiando os militares dos EUA no Japão.

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